Ouvir a história de vida da minha líder fez alguma coisa se mover dentro de mim.
Enquanto ela contava sua trajetória, sua história passou por muitos lugares do meu entendimento. Não porque nossas experiências fossem iguais, mas porque aquilo que ela dizia iluminava cenários que eu conhecia — e decisões que, silenciosamente, havia tomado dentro deles.
Em algum momento da vida, prometi a mim mesma que nunca mais passaria por determinados lugares. E que nunca mais deixaria que me tratassem como já haviam me tratado antes. Não me refiro apenas a lugares físicos, mas à sensação de não pertencer. De não ser vista, ouvida ou considerada.
Sem perceber, comecei a acreditar que o status poderia me proteger de tudo isso. Que a maneira como as pessoas me vissem mudaria a maneira como elas me tratariam.
Uma armadilha perigosa.
Se eu chegasse a determinado lugar, construísse uma imagem ou fosse reconhecida de certa maneira, talvez nunca mais precisasse sentir a vulnerabilidade daquela menina.
Meu egoísmo validava isso com facilidade.
Eu chamava de crescimento o que, algumas vezes, era necessidade de reconhecimento. Chamava de excelência o que também carregava medo de parecer pequena e insignificante. Chamava de maturidade o esforço de nunca mais ocupar um lugar no qual eu não fosse vista.
Mas Deus não me mostrou apenas uma mulher adulta atraída pelo reconhecimento. Ele me mostrou uma menina que precisava de orientação e que procurava fora de si a confirmação de que possuía valor. Tentando construir pertencimento por meio do que poderia alcançar, apresentar ou representar.
A superficialidade é bonita e brilhante.
Ela oferece imagens prontas, lugares desejáveis e sinais visíveis de importância. Por alguns instantes, parece nos entregar aquilo que buscamos: admiração, segurança, pertencimento e valor.
Mas ela não se sustenta.
Uma identidade construída para ser vista precisa continuar sendo exibida. Uma vida sustentada pela aprovação precisa continuar agradando. E quem encontra valor no lugar que ocupa sempre viverá com medo de perder esse lugar.
Foi então que compreendi: Deus não estava apenas confrontando minha vaidade. Ele estava alcançando uma promessa antiga:
“Nunca mais passarei por aqui.”
Essa promessa parecia força, mas carregava medo.
Deus, porém, não cura essa menina oferecendo-lhe um palco maior. Ele a chama para perto.
Ele não promete que todos a verão, mas ensina que ela já é conhecida. Não garante que sua voz será validada por todos, mas a lembra de que é ouvida por Ele. Não a conduz à construção de uma imagem admirável. Ele a conduz à verdade.
Hoje percebo que aquela menina não precisava de status. Precisava de direção. Não precisava ser condenada por desejar ser vista; precisava aprender onde repousar quando não fosse.
A superficialidade pode até ser bonita e nos levar a lugares que um dia desejamos alcançar.
Mas não consegue sustentar o peso de uma vida inteira.
Somente Cristo, a Verdade, pode fazer isso.
Juliana Morgenstern
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